O trem das oito
chegou devagar
enquanto o outro
tentava explicar.
Explicar o quê?
Que estava comigo?
Ria entre amigos
Inocente porquê.
Então nesse trem
a gente se foi
e com ela, não sei,
me diria depois.
A verdade que há
na amizade que lá
faz morada e se cerca
de muros de corações abertos.
Ela não vê que é normal
não percebe o tamanho do mal
que àquele bom homem, faz.
A loucura, de tudo é capaz.
A felicidade estava
nas batatas fritas
nas amigas, aflitas
pela hora que voava.
Fiquei contente em revê-los
depois de um dia corrido,
nem passei pente nos cabelos,
mas nem teriam percebido...
O que valeu foi o encontro
o riso fácil, as piadas
os venenos, em pitadas
a vontade da quarta outra.
No trem o papo se estendeu
meio no telefone, meio não
Estação Canoas e então desceu
com um abraço e um aperto de mão.
quarta-feira, 27 de julho de 2016
terça-feira, 12 de julho de 2016
Adeus forçado
Ontem à noite já deixei tudo certo, ela estaria ali, me esperando, como de praxe, quando eu acordasse. O sono foi curto, normal. Então acordei, o dia começou. Quando fui recobrando os sentidos, a visão se formando aos poucos, dei aquela espiada e sim, ali estava ela. Clara, serena, suave, me sorrindo.
Cabe aqui uma breve descrição.
Ela me foi apresentada, há anos, por alguém muito especial e foi amor à primeira vista, já saímos juntos. Me acompanhou, desde então, em muitos momentos, corriqueiros ou não, especiais ou não... Momentos bons e momentos ruins. É claro que, tudo muda com o tempo, e com ela, não seria diferente. Ela foi ganhando traços mais cansados, envelhecidos, a idade não passa em vão e o tempo, é implacável. Na verdade, pra mim foi ótimo, porque eu fui achando que ela ficava cada vez mais charmosa e gostosa. Cada vez eu gostava mais dela. Enfim, o tempo trouxe algo a mais entre nós. Fomos nos acertando cada vez mais, a coisa se ajeita, sabe como é, tudo passa a fluir mais naturalmente... Os anos nos fizeram bem, no geral; criou-se uma coisa boa, uma certa simbiose.
Voltando ao acontecido, hoje de manhã, assim que eu a vi ali, bonita, sorrindo, a minha mãe entrou em cena e deu um basta à nossa história. "Ah, não! Tu não vai sair com ela hoje! Até vou te dizer: tu não vai sair com ela nunca mais!"
Eu não quis aceitar de início, claro. E muito menos gostei da abordagem! Sempre fui convencido de que ela foi feita para estar ali comigo. Minha mãe, então, mais delicadamente, foi dizendo, explicando, que mesmo que fosse tudo tão bom, mesmo que nos encaixássemos perfeitamente, mesmo que fôssemos bonitos juntos e que ela me fizesse sentir tão bem, tão à vontade, mesmo que fôssemos praticamente uma coisa só (ainda que velha e desbotada), a realidade mostrava que era a hora, que aquilo ali era uma despedida.
Pulei da cama. Fui na direção dela, resolvi tentar enxergar o seu lado... Fitei-a por instantes e percebi que todo aquele charme envelhecido que eu sempre gostei, na verdade era feito de sinais, sinais acumulados de que não dava mais. Ela não podia mais continuar. A essa altura ela já estava se desmanchando. Então, finalmente aceitei: era o fim.
Com todo cuidado, a toquei. Estava fraca, bem fininha... Peguei-a, olhei para a minha mãe e disse: "toma, leva ela daqui, então". E lá se foram elas, porta afora.
Sentei na cama e em seguida minha mãe passou pelo quarto, na direção da cozinha. Gritei: "que merda, mãe; eu gostava daquela calça velha!".
Cabe aqui uma breve descrição.
Ela me foi apresentada, há anos, por alguém muito especial e foi amor à primeira vista, já saímos juntos. Me acompanhou, desde então, em muitos momentos, corriqueiros ou não, especiais ou não... Momentos bons e momentos ruins. É claro que, tudo muda com o tempo, e com ela, não seria diferente. Ela foi ganhando traços mais cansados, envelhecidos, a idade não passa em vão e o tempo, é implacável. Na verdade, pra mim foi ótimo, porque eu fui achando que ela ficava cada vez mais charmosa e gostosa. Cada vez eu gostava mais dela. Enfim, o tempo trouxe algo a mais entre nós. Fomos nos acertando cada vez mais, a coisa se ajeita, sabe como é, tudo passa a fluir mais naturalmente... Os anos nos fizeram bem, no geral; criou-se uma coisa boa, uma certa simbiose.
Voltando ao acontecido, hoje de manhã, assim que eu a vi ali, bonita, sorrindo, a minha mãe entrou em cena e deu um basta à nossa história. "Ah, não! Tu não vai sair com ela hoje! Até vou te dizer: tu não vai sair com ela nunca mais!"
Eu não quis aceitar de início, claro. E muito menos gostei da abordagem! Sempre fui convencido de que ela foi feita para estar ali comigo. Minha mãe, então, mais delicadamente, foi dizendo, explicando, que mesmo que fosse tudo tão bom, mesmo que nos encaixássemos perfeitamente, mesmo que fôssemos bonitos juntos e que ela me fizesse sentir tão bem, tão à vontade, mesmo que fôssemos praticamente uma coisa só (ainda que velha e desbotada), a realidade mostrava que era a hora, que aquilo ali era uma despedida.
Pulei da cama. Fui na direção dela, resolvi tentar enxergar o seu lado... Fitei-a por instantes e percebi que todo aquele charme envelhecido que eu sempre gostei, na verdade era feito de sinais, sinais acumulados de que não dava mais. Ela não podia mais continuar. A essa altura ela já estava se desmanchando. Então, finalmente aceitei: era o fim.
Com todo cuidado, a toquei. Estava fraca, bem fininha... Peguei-a, olhei para a minha mãe e disse: "toma, leva ela daqui, então". E lá se foram elas, porta afora.
Sentei na cama e em seguida minha mãe passou pelo quarto, na direção da cozinha. Gritei: "que merda, mãe; eu gostava daquela calça velha!".
segunda-feira, 11 de julho de 2016
Neblina
É neblina fechada, desce e não se vê mais nada. Sei como é: saio bem cedo, é manhã mas é noite, quase chove e não enxergo o que tem na próxima quadra. As lentes dos óculos ficam molhadas. Dificulta a visão. Na verdade, cega. Dá a impressão de que é mais forte que a manhã. O dia fraqueja na missão de tornar tudo claro e fácil. Ela quer superar, passar, quer ir em frente. Ela segue tentando, passo a passo, neblina a dentro.
Diante da neblina ela para
Enquanto eu tento fazê-la andar
Por vezes ela se prepara
Rua acima ela vai tentar
Ela chora, se lamenta
Sofrendo, a gente enfrenta
Só quando a vejo sorrindo
Ainda vencendo um domingo
O sol brilha e tudo se vê no calor
é mais um dia superado
todos juntos, lado a lado
ela conseguiu, com todo o amor.
Ainda vencendo um domingo
O sol brilha e tudo se vê no calor
é mais um dia superado
todos juntos, lado a lado
ela conseguiu, com todo o amor.
terça-feira, 17 de maio de 2016
Peso
O peso
Do braço
Tendão esmagado
O peso
Do rosto
Vermelho molhado
O peso
Da mochila
De sonhos lotada
O peso
Do braço
Vacina no lado
O peso
Da vida
Dos tombos do nada
O peso
Do mundo
De tudo errado
O peso
Dos anos
Da obra embargada
O peso
Das latas
Tinta derramada
O peso
Do choro
Dos olhos inchados
O peso
Do abraço
Não serve de nada
O peso
Sem rumo
Num país desnorteado
O peso
Do riff
Guitarras dobradas
O peso
Das peças
Função arranjada
O peso
Das pernas
Mais e mais passos dados
O peso
Do soco
Caiu desacordado
O peso
Dos dedos
No frio do teclado
O peso
Pesado
Do peso pesado.
Do braço
Tendão esmagado
O peso
Do rosto
Vermelho molhado
O peso
Da mochila
De sonhos lotada
O peso
Do braço
Vacina no lado
O peso
Da vida
Dos tombos do nada
O peso
Do mundo
De tudo errado
O peso
Dos anos
Da obra embargada
O peso
Das latas
Tinta derramada
O peso
Do choro
Dos olhos inchados
O peso
Do abraço
Não serve de nada
O peso
Sem rumo
Num país desnorteado
O peso
Do riff
Guitarras dobradas
O peso
Das peças
Função arranjada
O peso
Das pernas
Mais e mais passos dados
O peso
Do soco
Caiu desacordado
O peso
Dos dedos
No frio do teclado
O peso
Pesado
Do peso pesado.
terça-feira, 26 de abril de 2016
5 minutos
Numa correria de guarda livro, fecha mochila, pega guarda-chuva, olha um lado e olha outro, saltei do trem. Logo após mais uma ou duas olhadas ao redor, soltei o cabelo, botei o boné, fechei o casaco, fechei a cara, fechei as mãos - dentro dos bolsos - e num passo apressado e bem marcado, me fui.
Das profundezas da estação emergi, e então, me pus a caminhar um pouco mais depressa, já que uma delas tocou minha abarrotada mochila, talvez sem querer, pois todos tem pressa a essa hora, mas talvez não, talvez por gosto, na tentativa de uma intimidação, ou, por que não, de um puxão, não sei não, nem nunca vou saber, porque depois de brotar da terra eu ganhei o breu a passadas largas.
Toda noite é igual, elas estão por toda parte, parece que todas me olham, quando na verdade talvez nem percebam que eu existo, de novo, não sei, nem nunca vou saber, porque não dou chance ao azar, a caminhada é longa e curta, os passos são apressados. A adrenalina sempre sobe, sempre é uma fuga e mesmo que não seja, faço ser, é um filme de aventura policial, ou as últimas páginas de um Dan Brown, é correria. Como eu já disse, elas estão por toda parte.
Hoje o frio quase doeu, fez 11 graus, mas foi bom, gosto do frio. Hoje rengueou cusco, amanhã, dizem que vai cortar o rosto no golpe do vento seco da nossa capital, o desgraçado vem do rio que não é rio, vem com pressa, como eu, mas ainda assim, eu gosto dele.
Meio do caminho e eu sigo rapidamente, um passo atrás do outro, uma olho lá e outro cá, pros dois lados, umas duas ou quinze olhadas pra trás, nunca se sabe, pois elas, as sombras, estão por toda parte e estão ali só esperando o momento certo de atacar, podem ter faca ou outra arma, podem furar, ou trocar uma vida por uma mochila, um celular e um boné, eu tenho medo; muito embora saiba que elas preferem atacar os distraídos - eu mesmo já fui um deles, atacado por duas delas, ali mesmo, naquele mesmo trajeto, em frente àquele caldeirão alaranjado.
O frio trouxe hoje também o deserto e o silêncio, que combinados àquele cenário tão feio, escuro e fedido, formaram um todo nada agradável, a não ser a elas, que estavam nos cantos, no vão da esquina do sinal fechado, ou também não, pois era bem frio e eu realmente não sei o quão reais elas eram e têm sido, até porque eu andei bem rápido - o que não me impediu de ouvir o único som agitado e quente da noite, o que vinha de dentro do panelão laranja, aposto que estava cheio delas lá, dançando ou brigando, cercadas de tóxicos e bebidas vagabundas. Lugar tenebroso, agora sempre passo semi-correndo pela frente.
Enfim, após trocar de lado da calçada, consegui, cheguei são e salvo no último transporte da noite, meu norte diário e nele adentrei, num banco sentei. Respiro tranquilo, vitória parcial. Amanhã, tem mais.
Das profundezas da estação emergi, e então, me pus a caminhar um pouco mais depressa, já que uma delas tocou minha abarrotada mochila, talvez sem querer, pois todos tem pressa a essa hora, mas talvez não, talvez por gosto, na tentativa de uma intimidação, ou, por que não, de um puxão, não sei não, nem nunca vou saber, porque depois de brotar da terra eu ganhei o breu a passadas largas.
Toda noite é igual, elas estão por toda parte, parece que todas me olham, quando na verdade talvez nem percebam que eu existo, de novo, não sei, nem nunca vou saber, porque não dou chance ao azar, a caminhada é longa e curta, os passos são apressados. A adrenalina sempre sobe, sempre é uma fuga e mesmo que não seja, faço ser, é um filme de aventura policial, ou as últimas páginas de um Dan Brown, é correria. Como eu já disse, elas estão por toda parte.
Hoje o frio quase doeu, fez 11 graus, mas foi bom, gosto do frio. Hoje rengueou cusco, amanhã, dizem que vai cortar o rosto no golpe do vento seco da nossa capital, o desgraçado vem do rio que não é rio, vem com pressa, como eu, mas ainda assim, eu gosto dele.
Meio do caminho e eu sigo rapidamente, um passo atrás do outro, uma olho lá e outro cá, pros dois lados, umas duas ou quinze olhadas pra trás, nunca se sabe, pois elas, as sombras, estão por toda parte e estão ali só esperando o momento certo de atacar, podem ter faca ou outra arma, podem furar, ou trocar uma vida por uma mochila, um celular e um boné, eu tenho medo; muito embora saiba que elas preferem atacar os distraídos - eu mesmo já fui um deles, atacado por duas delas, ali mesmo, naquele mesmo trajeto, em frente àquele caldeirão alaranjado.
O frio trouxe hoje também o deserto e o silêncio, que combinados àquele cenário tão feio, escuro e fedido, formaram um todo nada agradável, a não ser a elas, que estavam nos cantos, no vão da esquina do sinal fechado, ou também não, pois era bem frio e eu realmente não sei o quão reais elas eram e têm sido, até porque eu andei bem rápido - o que não me impediu de ouvir o único som agitado e quente da noite, o que vinha de dentro do panelão laranja, aposto que estava cheio delas lá, dançando ou brigando, cercadas de tóxicos e bebidas vagabundas. Lugar tenebroso, agora sempre passo semi-correndo pela frente.
Enfim, após trocar de lado da calçada, consegui, cheguei são e salvo no último transporte da noite, meu norte diário e nele adentrei, num banco sentei. Respiro tranquilo, vitória parcial. Amanhã, tem mais.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
6h58 vibra
O despertar, de pronto,
No susto, meio tonto,
Eu pulo, olhos semicerrados
Por de trás dos óculos, embaçados.
Espero sentado, de lado,
Eles passam, como o gado,
Um atrás do outro, e outro
Atrás do outro que passa por mais outro
Enfim, eu vou, agora sete e dois
Passos largos, pra sobrar tempo depois.
Na esquina, sete e cinco eu espero.
Lá vem ela, como sempre, é tudo o que quero.
Sorrindo, leve, como o ar.
O ar meu, já perco, só de olhar.
O branco da pele contrasta e enfeita
Com aquela combinação perfeita
O cabelo longo, o vestido de flores
O sapato delicado, a bolsa, todas as cores.
A espera vale, o abraço aperta, o perfume é demais
Sete e nove, temos de ir, é perto do cais.
O toque da mão é macio, eu rio, mas o tempo é contado
Triste vem o tchau, a despedida dos seis minutos passados.
Sete e dez eu aceno, faço o te amo em sinais.
Sete e onze ela se vai, linda, é inevitável... Amanhã tem mais.
No susto, meio tonto,
Eu pulo, olhos semicerrados
Por de trás dos óculos, embaçados.
Espero sentado, de lado,
Eles passam, como o gado,
Um atrás do outro, e outro
Atrás do outro que passa por mais outro
Enfim, eu vou, agora sete e dois
Passos largos, pra sobrar tempo depois.
Na esquina, sete e cinco eu espero.
Lá vem ela, como sempre, é tudo o que quero.
Sorrindo, leve, como o ar.
O ar meu, já perco, só de olhar.
O branco da pele contrasta e enfeita
Com aquela combinação perfeita
O cabelo longo, o vestido de flores
O sapato delicado, a bolsa, todas as cores.
A espera vale, o abraço aperta, o perfume é demais
Sete e nove, temos de ir, é perto do cais.
O toque da mão é macio, eu rio, mas o tempo é contado
Triste vem o tchau, a despedida dos seis minutos passados.
Sete e dez eu aceno, faço o te amo em sinais.
Sete e onze ela se vai, linda, é inevitável... Amanhã tem mais.
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
Raio de sol
Tu é meu raio de sol.
Ilumina meus passos,
Nas caminhadas pelo Centro, na minha vida,
Rumo àquela galeria, ou ao tão aguardado futuro.
Aquece.
Nos trinta e quatro graus do termômetro, nas ruas infernais.
Aquece meus pensamentos e vontades, aquece meu coração.
Ilumina meu calor,
Aquece minha luz.
Tu é meu raio de sol.
Assinar:
Postagens (Atom)
