É neblina fechada, desce e não se vê mais nada. Sei como é: saio bem cedo, é manhã mas é noite, quase chove e não enxergo o que tem na próxima quadra. As lentes dos óculos ficam molhadas. Dificulta a visão. Na verdade, cega. Dá a impressão de que é mais forte que a manhã. O dia fraqueja na missão de tornar tudo claro e fácil. Ela quer superar, passar, quer ir em frente. Ela segue tentando, passo a passo, neblina a dentro.
Diante da neblina ela para
Enquanto eu tento fazê-la andar
Por vezes ela se prepara
Rua acima ela vai tentar
Ela chora, se lamenta
Sofrendo, a gente enfrenta
Só quando a vejo sorrindo
Ainda vencendo um domingo
O sol brilha e tudo se vê no calor
é mais um dia superado
todos juntos, lado a lado
ela conseguiu, com todo o amor.
Ainda vencendo um domingo
O sol brilha e tudo se vê no calor
é mais um dia superado
todos juntos, lado a lado
ela conseguiu, com todo o amor.
O cinza lá do céu a testemunhar nossos óculos embaçados, sujos, atrapalhando um pouco o andar envolto pela neblina. Mas sempre há de vir o sol, imponente, a nos irradiar e a traçar novos contornos no dia, em intenso azul. O grito literário do amigo vindo à tona com sensibilidade e beleza!
ResponderExcluirGrito metafórico, meio prosa, meio poema.
ResponderExcluirValeu!