Papel e caneta
um cometa
passou e marcou
o vazio
da folha cortada
um rio
de águas caladas
quisera eu
ser poeta
de verdade
sem vaidade
derramar palavras
no branco
pintar amarras
só para depois soltá-las
e então
quaisquer versos
despretenciosos
dispersos
fariam todo sentido
e toda rima
como um ímã
no metal grudaria
e qualquer gritaria
cantaria uma nova canção
milagrosa
uma poção
que arrancaria
risos e choros
anti-decoro
assim,
como quem não quer nada
como quem não é nada
e tudo é
ao mesmo tempo
num só tento
num amontoado de letras
desorganizadamente organizadas
como todos os planetas
na via-láctea
viagem estática
emblemática
e sempre existiria
um caminho
e todo leitor seria
um filhote no ninho
protegido
bem querido
se preparando para voar
ah, um dia
se tudo der certo
eu chego lá.
Belíssimas palavras do inspirado amigo! Parabéns mais uma vez! Grande abraço.
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