quinta-feira, 27 de julho de 2017

Quisera eu

Papel e caneta 
um cometa 
passou e marcou 
o vazio 
da folha cortada 
um rio 
de águas caladas 
quisera eu 
ser poeta 
de verdade 
sem vaidade 
derramar palavras 
no branco 
pintar amarras 
só para depois soltá-las 
e então 
quaisquer versos 
despretenciosos 
dispersos 
fariam todo sentido 
e toda rima 
como um ímã 
no metal grudaria 
e qualquer gritaria 
cantaria uma nova canção 
milagrosa 
uma poção 
que arrancaria 
risos e choros 
anti-decoro 
assim, 
como quem não quer nada 
como quem não é nada 
e tudo é 
ao mesmo tempo 
num só tento 
num amontoado de letras 
desorganizadamente organizadas 
como todos os planetas 
na via-láctea 
viagem estática 
emblemática 
e sempre existiria 
um caminho 
e todo leitor seria 
um filhote no ninho 
protegido 
bem querido 
se preparando para voar 
ah, um dia 
se tudo der certo 
eu chego lá.

Um comentário:

  1. Belíssimas palavras do inspirado amigo! Parabéns mais uma vez! Grande abraço.

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