Nosso novo quebra-cabeça
de infinitas peças
compramos juntos
aventura conjunta
em suaves prestações
com juros e correções
mas
compramos
acreditando na imagem
bonita paisagem
que um dia
ele há de formar.
Tento daqui
tu tenta daí
encaixa assim
desencaixa assado
desisto por hoje
e na caixa já guardo
teimosia pura
cabeças duras
boas intenções
sintonia nos corações
uma grade quebrada
no fogão espelhado
e na porta suada
um furo mal pensado
decepção ao perceber
a falta do saber
como lidar
com coisas simples
bagagem vazia
de conhecimentos
mais vazia que a minha
caixa de ferramentas.
Euforia nas emoções
turbilhão de sensações
tu tenta de lá
e de cá sou eu que tento
a sensibilidade que me falta
e a má administração de tempo
por vezes irrita
transborda
o martelinho
outrora cheio
de tequila
confesso
e peço
paciência no hoje
fé no amanhã
coragem no amor
um balde de cor
nova e escura
naquela parede crua-pura
vem e me diz
o que vai fazer com o giz?
E na outra, no costado,
dois ou três quadros
ou oito ou dez
um mês e pouco passado
e o que a gente fez?
Quando compramos
esse nosso novo jogo
o quebra-cabeça
de infinitas peças
sinceramente não pensei
que seria assim difícil
nesse tumultuado início
agora percebo
que na verdade
não veio com manual de instruções
ou aviso de oscilações
na dificuldade da montagem
ou da chuva
até a vaga de garagem
sem carro
sem barro
no calçamento simétrico
com espaços de grama
na fita métrica
pro meu novo pijama
azul
marinho
cheio de carinho
me arrancou sorrisos
tal qual aquele bicho
de guampa na testa
causou grande festa
na sacola escondido
em meio aos chocolates
famosos leitinhos
calorosos abraços
nessa noite que marcou
até agora
algumas cores pintadas
nesses dias complicados
em meio à árdua empreitada
que tem nos tirado
preciosos minutos
de cabeça tranquila
o que é imprescindível
para a construção
da imagem incrível
que vamos montar
peça por peça
pé por pé
mão com mão
na trajetória comprida
do jogo da nossa vida.
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