Queria um dia
saber o que há
por detrás da cortina
espessa neblina
que protege
teus pensamentos
e sentimentos
é um tormento, eu sei
confesso, esses dias parei
pra pensar
te analisar
e não consegui quebrar
a maldita parede
de madeira
que tal qual peneira
te defende.
Quisera eu entender
o que tem nessa cabeça
leria, sem pressa
cada página cheia
do relatório
(in)sanatório
sanitário
das tuas amarguras
e todas as gravuras
atentamente
eu observaria.
Pudera eu
até quem sabe ajudar
Ou quem sabe não.
Desprezível pretérito
mais que perfeito
não vai me auxiliar
a localizar o sujeito
da oração
dessa tua existência
e eu confesso também
talvez me falte paciência
mas porra
queria saber
se ainda sofre
se cai e se chora
se levanta, vai embora
ou, se agora
só lembra por gosto
de todos os desgostos
para então mergulhar
nas profundas memórias
revirar as histórias
e delas sorver
altos versos
com auto-reverse
e assumir o risco
da queda
do cisco
nesses distantes olhos
castanho-petróleo
sem risos verdadeiros
entre nós, um estrangeiro
de poucas palavras
ditas
e outras tantas
escritas
misteriosas
dolorosas
prazerosas
sinceramente não faço ideia
da dimensão do teu eu
não há qualquer plateia
mas te vejo nesse breu
de longe acompanho
vez em quando um banho
do teu discurso eu tomo
e ainda assim
em verdade
de ti, poeta
quase nada sei.
Quisera eu também saber entendê-lo... A gente se descobre outro diariamente, a cada passo dado, a cada vez que colidimos contra o muro, quebramos a cara e nos renovamos, nos pertencemos. Um novo eu ou um novo nós sempre há de surgir nas entrelinhas do improvável e do misterioso destino. Que bom contar contigo nesta caminhada longa da vida, meu amigo! Sigo bebendo na fonte dessa bela e instigada poesia tua! Grande abraço.
ResponderExcluir