sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
6h58 vibra
No susto, meio tonto,
Eu pulo, olhos semicerrados
Por de trás dos óculos, embaçados.
Espero sentado, de lado,
Eles passam, como o gado,
Um atrás do outro, e outro
Atrás do outro que passa por mais outro
Enfim, eu vou, agora sete e dois
Passos largos, pra sobrar tempo depois.
Na esquina, sete e cinco eu espero.
Lá vem ela, como sempre, é tudo o que quero.
Sorrindo, leve, como o ar.
O ar meu, já perco, só de olhar.
O branco da pele contrasta e enfeita
Com aquela combinação perfeita
O cabelo longo, o vestido de flores
O sapato delicado, a bolsa, todas as cores.
A espera vale, o abraço aperta, o perfume é demais
Sete e nove, temos de ir, é perto do cais.
O toque da mão é macio, eu rio, mas o tempo é contado
Triste vem o tchau, a despedida dos seis minutos passados.
Sete e dez eu aceno, faço o te amo em sinais.
Sete e onze ela se vai, linda, é inevitável... Amanhã tem mais.
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
Raio de sol
Tu é meu raio de sol.
Ilumina meus passos,
Nas caminhadas pelo Centro, na minha vida,
Rumo àquela galeria, ou ao tão aguardado futuro.
Aquece.
Nos trinta e quatro graus do termômetro, nas ruas infernais.
Aquece meus pensamentos e vontades, aquece meu coração.
Ilumina meu calor,
Aquece minha luz.
Tu é meu raio de sol.
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
Recreio
Soou a sirene.
Ali sentado, atento, eu observava tudo. Tudo como sempre foi, quase nada muda, na essência. Só os anos.
Três ou quatro meninas passando pra lá e pra cá, se entreolhando, olhando para os meninos, cochichando, rindo, cobrindo a boca com a mão, fazendo pose.
Três ou quatro meninos escorados no muro, também fazendo pose, porém, de rebeldes, donos de si. "Não vou entrar quando tocar o sinal, vou ficar aqui." "Todo mundo tem que entrar!" "Não sou todo mundo e vou ficar aqui." "Duvido." "Então vamos ver."
Aqueles sozinhos, parecendo não ter amigos, passando devagar.
A menina que puxou assunto com aquele mais velho, cheia de esperanças, enquanto ele só respondia educadamente, como quem conversa com uma criança.
Os que passavam me olhando curiosos, intrigados com aquele cara ali, sentado.
As meninas maquiadas como mulheres.
Os bandos de meninos vestidos da mesma maneira, as bermudas, os bonés, os óculos escuros enormes. Mesmo caminhar, mesmos trejeitos. Pareciam um bando de algum animal silvestre andando pelo campo, buscando impressionar quem olhasse.
A malandragem.
Risadas mil.
Mil vozes.
Mil burburinhos.
Correrias mil.
Inocência, maldade, amizade, romance, preocupação com a nota, preocupação com a aparência.
O futebol na quadra de concreto (agora não mais com pinha).
Também acontecia tudo aquilo que sei que acontece, nos cantos mais retirados, os cigarros escondidos, entre outras drogas, as combinações para mais tarde, tudo aquilo que não vi, mas que sei que acontecia, porque sempre foi assim.
Os menores brincando pelo pátio.
Será que tem tazo hoje em dia? Não sei. Tomara que tenha, eles perderiam muito sem tazo.
Oh, soou a sirene mais uma vez.
O pátio, aos poucos, foi se esvaziando.
Até o menino que disse que não entraria para a sala, entrou. As mesmas conversas da boca pra fora de sempre!
Umas últimas meninas passaram olhando e cochichando.
Uns últimos meninos de boné e quase uniformizados também passaram devagar, com aquele mesmo caminhar.
E eu ali, sentado, num misto de sentir-se jovem outra vez e sentir-se muito velho. Com um riso no rosto, olhar no pátio vazio e todo aquele zumzumzum desaparecendo aos poucos, no ouvido.
Do alto dos meus vinte e seis, me vi ali naquele recreio, voltei no tempo.
Em seguida percebi que na verdade, isso faz muito tempo, e que o tempo, voa.
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Bochincho
"...passar um cafezinho pro meu filhinho..."
... a voz da mãe rompendo o silêncio, e acalmando o coração.
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
De volta
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Justo!
(esqueceram de cobrar, não tenho culpa),
Hoje, fui atendido sem demora
(estava na fila das gestantes, naturalmente),
Comi umas bolachas no corredor de trás.
Agora vou dar uma furada nessa fila aqui.
Depois pedir um desconto pra funcionário ali...
Olha só, me deram troco a mais, que coisa boa!
Então vou pegar o carro, está perto da porta
(deixei na vaga de cadeirante, ninguém viu, mesmo).
E depois ir rápido, pelo acostamento
(é óbvio, tem engarrafamento).
Tenho pressa para chegar em casa.
Amanhã acordo cedo, tenho compromisso.
Vou passar o dia reclamando dos governantes, que são corruptos (e não são?).
Tem protesto, vou fazer a minha parte, acho justo!
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Quatro
Quatro.
Estou vendo quatros até em uma foto que foi tirada sem querer, cheia de graça, como o todo que a envolveu; o quatro está aí, chegou de mansinho, veio vindo, e chegou.
Nós já precisamos, algumas vezes, apontar para a fé e remar, também já zangamos em cismas, com birras e pirraças, normal. Mas também é verdade que em determinados momentos tu chegou e me disse "sem você, sou pá furada", ao passo que eu te olhei e disse "eu não, prefiro assim, com você, juntinho". Enfim, parece que o amor chegou, mas chegou lá atrás, há quatro anos. Fez morada. Fincou pé. Cresceu, apareceu, se reinventou, acompanhou as estações, os anos, os humores e valores, fez graça; se achou, afinal, aqui ele tem todas as condições necessárias para se manter em vida.
Hoje, vinte e quatro de setembro de dois mil e quinze, completamos quatro anos de nós dois, desse todo tão bonito que construímos e que na verdade é só o alicerce de toda a construção, que nunca vai estar com 100% de obra concluída, pois nós nos mostramos, dia após dia, que sempre podemos dar mais um retoque. Talvez ainda estejamos recém no primeiro andar!
Meu bem: pra nós, todo amor do mundo!
Tu e eu somos como dois barcos, lado a lado, indo na mesma direção, com um lindo sol no horizonte, distante, que nos faz querer sempre ir em frente.
Na foto desse post, tu só queria ajeitar a câmera, só queria deixar no enquadramento adequado. Sem querer, saiu isso. Foto perdida? Talvez para pessoas quaisquer. Para nós, é uma foto engraçada, se é engraçada, nos faz rir, se rimos, somos nós, se somos nós, somos felizes, se somos felizes... Olha, se somos felizes, nada mais importa. Se eu te tenho ao meu lado, não me importam poucas horas de sono ou o que seja, pois eu estou completo.
Obrigado ao mundo, por nos botar um no caminho do outro.
Sabe... Bendito acaso!
Ao meu amor, Anna Paula Arruda.
Com respeitosas menções às músicas do álbum "Quatro", do Los Hermanos.

