Ontem deixei de pagar o consumo do quarto
(esqueceram de cobrar, não tenho culpa),
Hoje, fui atendido sem demora
(estava na fila das gestantes, naturalmente),
Comi umas bolachas no corredor de trás.
Agora vou dar uma furada nessa fila aqui.
Depois pedir um desconto pra funcionário ali...
Olha só, me deram troco a mais, que coisa boa!
Então vou pegar o carro, está perto da porta
(deixei na vaga de cadeirante, ninguém viu, mesmo).
E depois ir rápido, pelo acostamento
(é óbvio, tem engarrafamento).
Tenho pressa para chegar em casa.
Amanhã acordo cedo, tenho compromisso.
Vou passar o dia reclamando dos governantes, que são corruptos (e não são?).
Tem protesto, vou fazer a minha parte, acho justo!
terça-feira, 6 de outubro de 2015
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Quatro
Quatro.
Estou vendo quatros até em uma foto que foi tirada sem querer, cheia de graça, como o todo que a envolveu; o quatro está aí, chegou de mansinho, veio vindo, e chegou.
Nós já precisamos, algumas vezes, apontar para a fé e remar, também já zangamos em cismas, com birras e pirraças, normal. Mas também é verdade que em determinados momentos tu chegou e me disse "sem você, sou pá furada", ao passo que eu te olhei e disse "eu não, prefiro assim, com você, juntinho". Enfim, parece que o amor chegou, mas chegou lá atrás, há quatro anos. Fez morada. Fincou pé. Cresceu, apareceu, se reinventou, acompanhou as estações, os anos, os humores e valores, fez graça; se achou, afinal, aqui ele tem todas as condições necessárias para se manter em vida.
Hoje, vinte e quatro de setembro de dois mil e quinze, completamos quatro anos de nós dois, desse todo tão bonito que construímos e que na verdade é só o alicerce de toda a construção, que nunca vai estar com 100% de obra concluída, pois nós nos mostramos, dia após dia, que sempre podemos dar mais um retoque. Talvez ainda estejamos recém no primeiro andar!
Meu bem: pra nós, todo amor do mundo!
Tu e eu somos como dois barcos, lado a lado, indo na mesma direção, com um lindo sol no horizonte, distante, que nos faz querer sempre ir em frente.
Na foto desse post, tu só queria ajeitar a câmera, só queria deixar no enquadramento adequado. Sem querer, saiu isso. Foto perdida? Talvez para pessoas quaisquer. Para nós, é uma foto engraçada, se é engraçada, nos faz rir, se rimos, somos nós, se somos nós, somos felizes, se somos felizes... Olha, se somos felizes, nada mais importa. Se eu te tenho ao meu lado, não me importam poucas horas de sono ou o que seja, pois eu estou completo.
Obrigado ao mundo, por nos botar um no caminho do outro.
Sabe... Bendito acaso!
Ao meu amor, Anna Paula Arruda.
Com respeitosas menções às músicas do álbum "Quatro", do Los Hermanos.
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Fadiga
Cansado das paradas de ônibus
Cansado das paradas da polícia
Cansado de sair com medo
Cansado do monitor e dos boletos
Cansado do silêncio e do barulho
Cansado das fofocas e especulações
Cansado das macros e dos ajustes
Cansado das liberações e confusões
Cansado de correr e não chegar
Cansado de esperar
que sejam corretos, que façam como eu faria
que valorizem, que se importem
que a garrafa venha, que o copo encha, que a visão se embaralhe
que os dias e semanas e meses e anos passem logo
Cansado das olheiras constantes
Cansado das poucas horas de sono
Cansado da falta de tempo
Cansado do desânimo
Cansado da fadiga que a fadiga traz.
Cansado das paradas da polícia
Cansado de sair com medo
Cansado do monitor e dos boletos
Cansado do silêncio e do barulho
Cansado das fofocas e especulações
Cansado das macros e dos ajustes
Cansado das liberações e confusões
Cansado de correr e não chegar
Cansado de esperar
que sejam corretos, que façam como eu faria
que valorizem, que se importem
que a garrafa venha, que o copo encha, que a visão se embaralhe
que os dias e semanas e meses e anos passem logo
Cansado das olheiras constantes
Cansado das poucas horas de sono
Cansado da falta de tempo
Cansado do desânimo
Cansado da fadiga que a fadiga traz.
sexta-feira, 7 de agosto de 2015
Pele (sem pudor)
Te quero sem rusga, sem blusa
Quero sem hora; pudesse, agora
Te quero bem quente,
Como a gente é que sente
Te quero sem tempo pra parar,
Quero em tempo de parar e ficar.
No teu calor, sem me recompor
Sem dor, e muito mais, sem pudor.
Te quero sem ir pra casa depois
Quero lá, à meia luz, só nós dois
Te quero sem rima, sem estrutura, sem métrica.
Te quero sem nada, sem compromisso, sem ter porquê, sem regra e sem roupa, sem explicação.
Te quero sem dar satisfação, sem evento, sem espera, sem demora, sem carranca e sem choro.
Te quero com tudo.
Te quero sem nada.
Sem nada, mas só com a pele.
É na pele que tudo muda, na pele que mandamos no mundo, que até a respiração faz música, é a pele que nos leva àquele lugar, a pele sente o cheiro e o gosto, a pele arrepia, a pele é que lava a alma, a pele é que salva.
Quero sem hora; pudesse, agora
Te quero bem quente,
Como a gente é que sente
Te quero sem tempo pra parar,
Quero em tempo de parar e ficar.
No teu calor, sem me recompor
Sem dor, e muito mais, sem pudor.
Te quero sem ir pra casa depois
Quero lá, à meia luz, só nós dois
Te quero sem rima, sem estrutura, sem métrica.
Te quero sem nada, sem compromisso, sem ter porquê, sem regra e sem roupa, sem explicação.
Te quero sem dar satisfação, sem evento, sem espera, sem demora, sem carranca e sem choro.
Te quero com tudo.
Te quero sem nada.
Sem nada, mas só com a pele.
É na pele que tudo muda, na pele que mandamos no mundo, que até a respiração faz música, é a pele que nos leva àquele lugar, a pele sente o cheiro e o gosto, a pele arrepia, a pele é que lava a alma, a pele é que salva.
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Vem cá (Quando tu chegou)
Vem cá
Vem escutar a carta que eu escrevi pra ti
Na máquina de escrever sem papel
Sem papel, mas de verdade
De verdade, com amor
Vem cá
Senta ao meu lado aqui na grama
Vem e faz meu coração bater
Bater acelerado
Mas sem pressa de chegar
Pois quando tu chegou
Trouxe tantas cores
E até flores eu passei a notar
Nas mesmas ruas
Por onde eu sempre passei
Em preto e branco
Vem cá
Vem ser o que eu idealizei
Em uma menina, uma mulher
Vem sorrindo
Me fazer sorrir
Vem aqui
Vem, eu não te peço nada demais
Te peço apenas que jamais me deixe
Não deixe a minha vida
Tão sem graça
Pois quando tu chegou
Trouxe tantas cores
E até flores eu passei a notar
Nas mesmas ruas
Por onde eu sempre passei
Em preto e branco, em preto e branco.
Vem escutar a carta que eu escrevi pra ti
Na máquina de escrever sem papel
Sem papel, mas de verdade
De verdade, com amor
Vem cá
Senta ao meu lado aqui na grama
Vem e faz meu coração bater
Bater acelerado
Mas sem pressa de chegar
Pois quando tu chegou
Trouxe tantas cores
E até flores eu passei a notar
Nas mesmas ruas
Por onde eu sempre passei
Em preto e branco
Vem cá
Vem ser o que eu idealizei
Em uma menina, uma mulher
Vem sorrindo
Me fazer sorrir
Vem aqui
Vem, eu não te peço nada demais
Te peço apenas que jamais me deixe
Não deixe a minha vida
Tão sem graça
Pois quando tu chegou
Trouxe tantas cores
E até flores eu passei a notar
Nas mesmas ruas
Por onde eu sempre passei
Em preto e branco, em preto e branco.
quarta-feira, 29 de julho de 2015
Um sábado com o Padre Cacique
Não posso calcular, por alto, nem com calma,
Quantos anos somavam-se, incontáveis, naquele iluminado almoço.
Iluminado pelas janelas abertas: a luz entrava.
Entrava e passeava, alegremente, por entre as mesas.
Refletia nas rugas, nos fios brancos, que eram tantos,
Expandia-se, clareava tudo, até o meu canto.
O branco se multiplicava.
Nos fios de cabelo, nos dentes,
Nos pratos, copos e guardanapos.
Ah, quanto branco, quanto bem!
Me preparei tanto, mas foi pouco.
Fiz tão pouco, mas foi muito.
Levei a eles algumas notas.
Não muitas, mas selecionadas a dedo.
A dedo e a coração, ou talvez, por que não
Selecionadas pelo dedo do coração.
Me choraram, me riram, me aplaudiram
Me resmungaram, me viram, me ouviram.
O som das notas ecoava com o canto pelos cantos,
O som dos pratos, copos e talheres, completava o encanto.
Empolgados, contaram histórias, falaram de Lutero e da Alemanha.
Encantado, ouvi tudo, ri junto, dei minha atenção, ganhei o dia.
As vozes falavam, falavam, cantavam e cantavam, mas pouco,
Perto dos olhares, risos e lágrimas, que falavam muito.
Quantos anos somavam-se, incontáveis, naquele iluminado almoço.
Iluminado pelas janelas abertas: a luz entrava.
Entrava e passeava, alegremente, por entre as mesas.
Refletia nas rugas, nos fios brancos, que eram tantos,
Expandia-se, clareava tudo, até o meu canto.
O branco se multiplicava.
Nos fios de cabelo, nos dentes,
Nos pratos, copos e guardanapos.
Ah, quanto branco, quanto bem!
Me preparei tanto, mas foi pouco.
Fiz tão pouco, mas foi muito.
Levei a eles algumas notas.
Não muitas, mas selecionadas a dedo.
A dedo e a coração, ou talvez, por que não
Selecionadas pelo dedo do coração.
Me choraram, me riram, me aplaudiram
Me resmungaram, me viram, me ouviram.
O som das notas ecoava com o canto pelos cantos,
O som dos pratos, copos e talheres, completava o encanto.
Empolgados, contaram histórias, falaram de Lutero e da Alemanha.
Encantado, ouvi tudo, ri junto, dei minha atenção, ganhei o dia.
As vozes falavam, falavam, cantavam e cantavam, mas pouco,
Perto dos olhares, risos e lágrimas, que falavam muito.
quinta-feira, 23 de julho de 2015
Taciturno, divagando.
Taciturno sigo, não sei
Não sei se sei, o porquê
Se apenas por não saber,
Ou por saber e, aí sim, discordar(ei).
Adjetivo de pouco uso, confuso
Também nesse estado pouco ando, mas ando.
Acho até que sei, sim
E até concordo, mas discordo
Em partes, como (quase) tudo
Tudo que parece e não é, mas parece e é, sei que é (às vezes).
Divaguei, divagando, nas palavras flutuantes
Cheguei, chegando, a lugar algum, mas só aqui, ou adiante (?).
Não sei se sei, o porquê
Se apenas por não saber,
Ou por saber e, aí sim, discordar(ei).
Adjetivo de pouco uso, confuso
Também nesse estado pouco ando, mas ando.
Acho até que sei, sim
E até concordo, mas discordo
Em partes, como (quase) tudo
Tudo que parece e não é, mas parece e é, sei que é (às vezes).
Divaguei, divagando, nas palavras flutuantes
Cheguei, chegando, a lugar algum, mas só aqui, ou adiante (?).
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