quarta-feira, 29 de julho de 2015

Um sábado com o Padre Cacique

Não posso calcular, por alto, nem com calma,
Quantos anos somavam-se, incontáveis, naquele iluminado almoço.
Iluminado pelas janelas abertas: a luz entrava.
Entrava e passeava, alegremente, por entre as mesas.
Refletia nas rugas, nos fios brancos, que eram tantos,
Expandia-se, clareava tudo, até o meu canto.

O branco se multiplicava.
Nos fios de cabelo, nos dentes,
Nos pratos, copos e guardanapos.
Ah, quanto branco, quanto bem!

Me preparei tanto, mas foi pouco.
Fiz tão pouco, mas foi muito.

Levei a eles algumas notas.
Não muitas, mas selecionadas a dedo.
A dedo e a coração, ou talvez, por que não
Selecionadas pelo dedo do coração.
Me choraram, me riram, me aplaudiram
Me resmungaram, me viram, me ouviram.

O som das notas ecoava com o canto pelos cantos,
O som dos pratos, copos e talheres, completava o encanto.
Empolgados, contaram histórias, falaram de Lutero e da Alemanha.
Encantado, ouvi tudo, ri junto, dei minha atenção, ganhei o dia.

As vozes falavam, falavam, cantavam e cantavam, mas pouco,
Perto dos olhares, risos e lágrimas, que falavam muito.

Nenhum comentário:

Postar um comentário